"Catadores do Jangurussu", exposição que o artista plástico cearense Descartes Gadelha apresentou, em 1989, no Museu de Arte da UFC, ganhará retrospectiva a partir de 18 de outubro, como parte da programação do III Festival UFC de Cultura.
Através de 120 peças – 70 pinturas de tamanhos variados, todas em óleo sobre tela, e 50 desenhos – a exposição, que ficará em cartaz até 30 de novembro, reproduz cenas do antigo lixão de Fortaleza.
As peças foram produzidas ainda nos anos 1980, mas somente 34 deles já foram expostas no MAUC, há 21 anos, quando "Catadores do Jangurussu" estreou. A abertura oficial da exposição acontecerá às 17h do dia 18, com apresentação do grupo Maracatu Solar, comandado pelo cantor e compositor Pingo de Fortaleza, que homenageará o artista.
Em texto publicado, em 1989, para a abertura de "Catadores do Jangurussu", o artista explicou que todas as telas foram executadas a partir de sua vivência no próprio aterro sanitário.
O resultado são quadros feitos com "cores deterioradas, próprias do lixo em decomposição e das pessoas que conseguem viver do que é possível recolher daquele mar de detritos". Sem a aparente preocupação da denúncia social, as pinturas buscam a atmos-fera psicológica do meio ambiente, apresentando aspecto retorcido e rostos desfalcados, com olhares cansados.
Para Descartes, "a fome, a doença, o abandono e o extremo desamparo modelam de tal forma aqueles seres, que visualmente seus corpos se fundem com o próprio lixo, em um nauseante espetáculo de camuflagem onde pedaços de lixo parecem conter inteligência, sentimento, portanto individualidade".
Não ficaram de fora das peças figuras marcantes do antigo lixão. Estão lá os urubus, os cães e os ratos, numa guerra pelo direito de sobreviver do ser humano. Nessa batalha, segundo Descartes, vencem apenas a decomposição e o poder da degradação.
Nascido em 18 de junho de 1943, Descartes Marques Gadelha desenha desde pequeno. Seus primeiros desenhos foram caricaturas que fazia de seus colegas nas calçadas e nas paredes de toda a vizinhança, motivo de constantes brigas.
Aos 19 anos, iniciou-se na pintura, através de aulas de desenho livre sob orientação do pintor Zenon Barreto (1918-2002). Nesse período, trabalhou como desenhista técnico da Rede Ferroviária Federal. Sua primeira exposição aconteceu já no ano seguinte, em 1963, fazendo parte da mostra "A Paisagem Cearense", no Museu de Arte da UFC.
A exposição tem entrada gratuita, assim como toda a programação do III Festival UFC de Cultura. Todas as atividades relacionadas ao evento, que este ano acontece simultaneamente aos Encontros Universitários 2010, são encontradas no site www.festivalufcdecultura.ufc.br. Novidades podem ser acompanhadas pelo twitter @IIIFestivalUFC.
O III Festival UFC de Cultura é uma realização da Coordenadoria de Comunicação Social e Marketing Institucional da Universidade Federal do Ceará, com patrocínio do Banco do Nordeste e do Banco do Brasil, ação cultural do Governo do Estado do Ceará e apoio da Prefeitura Municipal de Fortaleza, Câmara Municipal de Fortaleza, Coelce, Cetrede, Associação dos Docentes da UFC e Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura.
Serviço:
"Catadores do Jangurussu", de Descartes Gadelha
Local: Museu de Arte da UFC (Avenida da Universidade, nº 2854 – Benfica)
Período: 18/10 a 30/11 – Abertura oficial: às 17h de 18/10
Horário para visitação: 8h às 18h
Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social e Marketing Institucional da UFC - (fone: 85 3366 7319)
Associação Cultural Solidariedade e Arte – SOLAR, fundada em meados de 2005, desenvolve programas e projetos na área da cultura, tendo como missão democratizar e heterogeneizar os meios de produção e o acesso aos bens culturais, oportunizando o exercício pleno da cidadania a todos os envolvidos nestes processos.
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sábado, 16 de outubro de 2010
sábado, 18 de setembro de 2010
Som Imagem Movimento Gente
Em março de 1979, o Theatro José de Alencar abriu as portas durante 4 dias, para mais de 400 artistas, dentre músicos, poetas, atores, dançarinos, artistas plásticos, fotógrafos e cineastas, engajados em apresentar suas manifestações artísticas autorais. Foi a Massafeira Livre, um movimento cultural coletivo, que envolveu um grande público e revolucionou o conceito das apresentações tradicionais no Theatro, estendendo o evento por mais de 6 horas de duraão em cada dia. Como a música teve um destaque especial, o movimento gerou um disco duplo, que lançou grandes nomes da cultura cearense e deixou marcado na história a determinação desses jovens artistas.
Inspirado no espírito de coletividade que moveu a Massafeira Livre, surge o ManiFesta! Festival das Artes, lançando novas metas, novas setas, novos sonhos. Mais de 300 artistas realizarão uma ocupação multicultural em todos os espaços do histórico Theatro José de Alencar, sábado dia 18 de setembro de 2010, numa maratona de 18 às 6 horas da manhã, com entrada franca.
Na noite do evento será lançado oficialmente o albúm duplo Massafeira em CD remasterizado, e o Livro Massafeira 30 Anos - Som Imagem Movimento Gente, escrito coletivamente por diversos autores. O livro foi organizado pelo cantor e compositor Ednardo e conta com muitas imagens inéditas, fotos de Gentil Barreira, ilustrações de Brandão, fotogramas do filme realizado por Ednardo durante a Massafeira, imagens de Rosemberg Cariry, além de trabalhos de vários outros artistas.
O teatro centenário será palco do encontro de gerações, onde se apresentarão Ednardo, Rodger Rogério, Calé Alencar, Lúcio Ricardo, Chico Pio, Régis e Rogério, entre outros, junto com novos artistas que se destacam na atual cena musical cearense, como Vitoriano, Daniel Medina, Breculê, Jonnata Doll, Renegados, Coletivo Bora!, além de outras bandas.
As fotos de Gentil Barreira e os filmes de Rosemberg Cariry também dialogarão com a arte de diversos grupos de múltiplas linguagens, como música, dança, teatro, performance, poesia, intervenções, literatura, cinema, vídeo, artes plásticas, instalações, exposições de fotos, quadros e esculturas.
A oportunidade de avaliar a importância de movimentos artísticos coletivos como a Massafeira nos dias de hoje, abre espaço para a discussão sobre as políticas culturais e a movimentação artística local, propondo uma atuação mais efetiva dos órgãos governamentais, dos produtores e dos artistas, na criação de projetos que proporcionem um funcionamento mais efetivo de toda a cadeia produtiva das artes no Ceará.
O filme Massafeira realizado por Ednardo e Julia Limaverde, com imagens inéditas captadas em negativo 16mm durante a Massafeira em 1979, será exibido durante o evento. Com a intenção de dar continuidade ao documentário, será realizado durante a noite, um filme coletivo ao vivo, onde o público poderá colaborar levando suas câmeras, máquinas fotográficas e até câmeras de celular, para captar imagens durante a realização do evento.
Será uma noite especial! Além das apresentações programadas, convidamos o público para vestir seus figurinos, trazer seus personagens, desengavetar suas poesias e interagir, seja filmando, atuando ou simplesmente prestigiando. Manifestem-se!
SERVIÇO
ManiFesta! Festival das Artes
Lançamento Livro e CD Massafeira 30 Anos
DATA
18 de Setembro de 2010
Das 18 h as 6 h
12 horas duração
LOCAL
Theatro José de Alencar
Praça José de Alencar, s/n, 60033-976
Fortaleza, Ceará, Brasil
Telefones: (85) 3101.2596 3101.2603
http://www.secult.ce.gov.br/
Inspirado no espírito de coletividade que moveu a Massafeira Livre, surge o ManiFesta! Festival das Artes, lançando novas metas, novas setas, novos sonhos. Mais de 300 artistas realizarão uma ocupação multicultural em todos os espaços do histórico Theatro José de Alencar, sábado dia 18 de setembro de 2010, numa maratona de 18 às 6 horas da manhã, com entrada franca.
Na noite do evento será lançado oficialmente o albúm duplo Massafeira em CD remasterizado, e o Livro Massafeira 30 Anos - Som Imagem Movimento Gente, escrito coletivamente por diversos autores. O livro foi organizado pelo cantor e compositor Ednardo e conta com muitas imagens inéditas, fotos de Gentil Barreira, ilustrações de Brandão, fotogramas do filme realizado por Ednardo durante a Massafeira, imagens de Rosemberg Cariry, além de trabalhos de vários outros artistas.
O teatro centenário será palco do encontro de gerações, onde se apresentarão Ednardo, Rodger Rogério, Calé Alencar, Lúcio Ricardo, Chico Pio, Régis e Rogério, entre outros, junto com novos artistas que se destacam na atual cena musical cearense, como Vitoriano, Daniel Medina, Breculê, Jonnata Doll, Renegados, Coletivo Bora!, além de outras bandas.
As fotos de Gentil Barreira e os filmes de Rosemberg Cariry também dialogarão com a arte de diversos grupos de múltiplas linguagens, como música, dança, teatro, performance, poesia, intervenções, literatura, cinema, vídeo, artes plásticas, instalações, exposições de fotos, quadros e esculturas.
A oportunidade de avaliar a importância de movimentos artísticos coletivos como a Massafeira nos dias de hoje, abre espaço para a discussão sobre as políticas culturais e a movimentação artística local, propondo uma atuação mais efetiva dos órgãos governamentais, dos produtores e dos artistas, na criação de projetos que proporcionem um funcionamento mais efetivo de toda a cadeia produtiva das artes no Ceará.
O filme Massafeira realizado por Ednardo e Julia Limaverde, com imagens inéditas captadas em negativo 16mm durante a Massafeira em 1979, será exibido durante o evento. Com a intenção de dar continuidade ao documentário, será realizado durante a noite, um filme coletivo ao vivo, onde o público poderá colaborar levando suas câmeras, máquinas fotográficas e até câmeras de celular, para captar imagens durante a realização do evento.
Será uma noite especial! Além das apresentações programadas, convidamos o público para vestir seus figurinos, trazer seus personagens, desengavetar suas poesias e interagir, seja filmando, atuando ou simplesmente prestigiando. Manifestem-se!
SERVIÇO
ManiFesta! Festival das Artes
Lançamento Livro e CD Massafeira 30 Anos
DATA
18 de Setembro de 2010
Das 18 h as 6 h
12 horas duração
LOCAL
Theatro José de Alencar
Praça José de Alencar, s/n, 60033-976
Fortaleza, Ceará, Brasil
Telefones: (85) 3101.2596 3101.2603
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sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Ensaio mensal do Maracatu Solar
Ensaio mensal do Maracatu Solar, com desfile de fantasias de Fabrício Oliver. Tema "Riscou no céu uma estrelinha" de Descarte Gadelha, Pingo de Fortaleza e Calé Alencar.
Data: 21/08/2010
Horário: 18:30 às 20:30 h
Local: Sede Solar
Data: 21/08/2010
Horário: 18:30 às 20:30 h
Local: Sede Solar
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domingo, 8 de agosto de 2010
Descartes Gadelha diz que ritmo triste de maracatu é deformação
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| Descartes Gadelha: em busca da batida perfeita e alegre para o maracatu. Em foto de Edimar Soares |
Artista plástico e compositor de loas, Descartes Gadelha, ataca aqueles que defendem que o ritmo triste e arrastado do maracatu seja uma tradição a ser preservada no Ceará. Pelo contrário, trata-se de uma deformação, diz o macumbeiro – como também são chamados os compositores de loas.
Ele também critica outras supostas tradições do maracatu, que encena a cerimônia da coroação dos reis do Congo – por isso “congada” era o nome original da cerimônia.
Descartes deu entrevista para o caderno Vida & Arte do O POVO. Reproduzo alguns trechos abaixo, mas vale a pena ler a íntegra.
«O maracatu dessa época já usava esse ritmo, bem gostoso, bem contagiante. Essa alegria perdurou muitos anos. Só que, quando as televisões e as revistas passaram a publicar as fantasias dos bailes de Carnaval do Rio de aneiro e das escolas de samba, os donos de maracatu, vendo a beleza plástica das fantasias, disseram que nosso maracatu era pobre: era feito com renda do Aquiraz, algodãozinho, chita. Foi quando os figurinistas entraram para o maracatu [ na década de 1960]. A renda foi substituída por lamê, veludo, cetins importados, e o maracatu foi descaracterizado culturalmente. Perdeu na força folclórica, mas ganhou em showbusiness. Aí é que entra a parte melódica. Como é que se podia dançar com fantasias de 30 quilos? A solução foi acabar com o batuque. Tiraram a coisa frenética e colocaram um ritmo de enterro, de procissão, muito lento, tristonho, pra ninguém dançar. O importante era o maracatu desfilar com fantasias luxuosas. O ritmo foi pras cucuias. As fantasias eram lindas, mas o espírito do maracatu se perdeu. Deixou-se de dançar. [...] E isso foi por tanto tempo que as pessoas começaram a achar que era característica do nosso maracatu. [...] Esse conceito de originalidade do maracatu ser triste, funesto, é um erro de 30, 40 anos e só.»
«O maracatu é uma das peças da consciência negra. Mas por que um negro, quando desfila no maracatu, é obrigado a pintar a cara de preto? [...] Existem grupos de negros que não participam do maracatu por se sentirem agredidos.»
«Eu estou com 67 anos. Na minha infância, nós íamos atrás dos maracatus rodando toda a cidade de Fortaleza, da Praça do Ferreira pra Igreja da Sé, passando pela Dom Manuel, e a praça José de Alencar. Eram 10, 12 quilômetros de batuque. A intenção nossa, minha e do Pingo [cantor e compositor] , é de tornar o maracatu como ele é, uma festa de alegria, de participação.»
Texto tirado do Blog de Plinio Bortolotti
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Homenagens
Abertura do 2º semestre do Ponto de Cultura Fortaleza dos Maracatus
- Horário: 19:00 h,
- Local: Sede Solar
- Data 09/08/2010
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quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Pode entrar que a casa é sua...
Curso: Pode entrar que a casa é sua
Período do curso: 16 a 31 de agosto de 2010
Local: Associação Cultural Solidariedade e Arte - SOLAR
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